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O AI Act deu tempo às empresas. A estratégia dirá quem o aproveita.
Mara Lagriminha · vmbl · 21 de julho de 2026 · 4 min de leitura
A União Europeia deu mais tempo para aplicar as regras relativas aos sistemas de inteligência artificial de risco elevado. Foi uma decisão sensata, porque muitas normas técnicas ainda estão a ser concluídas. Mas seria um erro interpretar o adiamento como uma pausa. A transparência chega já em agosto de 2026, a literacia em IA é exigida desde 2025 e o RGPD, as regras laborais e a proteção do consumidor continuam aplicáveis.
Este tempo deve servir para antecipar, não para adiar. É aqui que a consultoria estratégica se torna uma verdadeira mais-valia: não como mais uma camada burocrática, mas como capacidade de perceber, antes da decisão, de que forma a regulação interfere com o negócio, os processos, a contratação, a comunicação e a confiança.
E é por isso que para modernizar não basta usar Inteligência Artificial. A análise estratégica que previne, dá segurança e garante uma verdadeira autonomia, deve questionar se faz sentido utilizá-la, com que dados, quem responde e o que acontece se algo correr mal. Permite detetar problemas antes do investimento, negociar contratos mais seguros e evitar que uma escolha tecnológica se transforme numa dependência cara.
Em Portugal, temos tendência para anunciar a transformação antes de preparar a organização. Compra-se tecnologia e só depois se pergunta quem responde pelos resultados. Mas a IA não corrige processos deficientes. Se o procedimento é opaco, pode torná-lo mais rápido, não mais justo. Se os dados têm pouca qualidade, o modelo reproduz o problema.
A consultoria estratégica começa por saber que sistemas são usados, com que dados e que decisões influenciam. Junta gestão, análise jurídica, tecnologia, proteção de dados, e comunicação, transformando obrigações abstratas em decisões operacionais que criam verdadeiro impacto e resultados. Uma crise de IA raramente é apenas jurídica, pode afetar operações, clientes e reputação ao mesmo tempo.
Ver esta preparação apenas como custo é uma visão curta. As organizações que conhecem os sistemas que utilizam, controlam os dados e sabem responder a incidentes terão vantagem em concursos, investimento, parcerias e internacionalização. Confiança e capacidade de provar qualidade serão, cada vez mais, condições de acesso ao mercado. É aqui que a diferenciação se fará no mercado e na capacidade de gerar ativos.
O AI Act deu mais tempo, não uma pausa. Quem o usar para rever processos, contratos e responsabilidades chegará mais preparado e em melhores condições para competir. A boa consultoria estratégica não aparece no fim para justificar uma decisão tomada. Entra no início para evitar a decisão errada e transformar prevenção em valor, confiança e vantagem competitiva. A IA não é um oráculo, mas a prevenção poderá ser o verdadeiro suporte que acrescenta valor.